domingo, 20 de outubro de 2013


Até hoje, pergunta-se: para que serve a arte, para que serve a poesia?
Intelectuais se aprumam, pigarreiam e começam a responder dizendo "Veja bem..." e daí em diante é um blablablá teórico que tenta explicar o inexplicável. Poesia
serve (...) para alterar o curso do seu andar, para interromper um hábito,
para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do inferno que é viver todo santo dia sem nenhum
assombro, sem nenhum encantamento.

A zona da amizade Como se sai dela para a zona do romance sem cair do tabuleiro



Amizade não deveria ser prêmio de consolação para quem não consegue sexo ou romance, mas muitas vezes é. As pessoas se aproximam escondendo seus sentimentos – para não serem rejeitadas – e depois não sabem como colocá-los na mesa sem que pareçam ridículos ou descabidos. Viram amigos da pessoa que desejam, mas cheias de expectativas irrealizadas. Em termos afetivos, isso deve dever ser pior do que não ter relação nenhuma. Certamente é mais doloroso.
Tenho impressão que esse tipo de coisa acontece sempre com o mesmo tipo de pessoa. Ela não é inteiramente tímida, mas tampouco é segura o suficiente para expressar seus sentimentos com clareza. Para esse tipo de personalidade, seja homem ou mulher, a sedução pela amizade parece sempre uma boa solução. Ela oferece um jeito sem riscos de se aproximar e ganhar a intimidade do outro. O problema com essa sedução enviesada é que ela acaba sempre no mesmo impasse: como transformar o aconchego daquela amizade na tensão emocional que desemboca no sexo?

Muita gente não sabe o que é esse tipo de problema. São pessoas que têm o talento de se aproximar deixando claras suas intenções. Nem sempre são bem recebidas, mas ao menos não há equívoco. Todo mundo sabe o que está rolando e para onde aquilo conduz. É direto e excitante. Não se trata de uma abordagem inofensiva e nem pode ser confundida com amizade. Mas ela sempre traz para quem toma a iniciativa o risco de fazer papel de bobo. É um risco que certos egos estão dispostos a correr. Outros não.

Nem todo mundo sabe chegar chegando, sem parecer escroto ou piriguete. A maioria de nós começa a conversa como pode, nos limites da situação e da personalidade. Só mais tarde, lá na frente, vai perceber que pegou o caminho errado, aquele que conduz a um lugar subjetivo que o meu amigo Xandão – um homem sensível de 1,90m de altura e ombros de remador – chama de zona da amizade.
Sair da zona da amizade e entrar na zona do romance não é fácil. Demanda sorte. O outro tem que embarcar no mesmo sentimento. Em algum momento, a percepção sobre quem está ao lado precisa mudar – e é melhor que não aconteça às 3 horas da manhã, quando todo mundo está bêbado. Romances de madrugada entre amigos costumam trazer mais constrangimento que felicidade.

Melhor é começar direito, mesmo que seja difícil.

Quem está encantado pela outra pessoa, tem de deixar claro. Não pode ser grosseiro, não precisa ser vulgar, mas não se deve esconder os sentimentos. Como? Sei lá, mas evite baixar os olhos, sustente o sorriso, converse. Conversar não é o oposto de beijar ou transar, é uma preparação para isso tudo. Nem precisa ser uma conversa especial, eu acho. Quando a atração existe, ela permeia qualquer papo. Aos poucos, o ritmo da fala vai mudando e os corpos se aproximam. Pode não acontecer tudo hoje, mas uma hora acontece – se houver reciprocidade.

Quando ela não existe, melhor perceber logo e tomar, sinceramente, uma de duas atitudes possíveis: cair fora ou virar amigo. Mas amigo mesmo, desses que botam na cama PARA DORMIR a amiga linda e bêbada. Dessas que não se incomodam em ouvir o cara chorando por causa daquela desgraçada que trocou ele por outro. Essas amizades são lindas. Eu acredito sinceramente que elas existem. Mas deveriam ser claras e simples. Tão claras e tão simples quanto possível à complexa e obscura personalidade humana.


Cícero *-*


sábado, 19 de outubro de 2013

Parabéns, poetinha!



Você disse a ele: entra, fica à vontade, não repara na bagunça. O rapaz olhou em volta, está tudo organizado, nos trinques, cheiro de lavanda. Mas você se referia à sua vida.”

quinta-feira, 17 de outubro de 2013


Vou inventar avós que nunca morrem, e cachorros também. Eu vou inventar uma verdade sem problemas e um caminho doce pra poder voltar e catar todos os caramelos que tiraram de mim. E mesmo que tudo dê errado, mesmo assim, não tem problema. Eu deito no telhado de uma casa qualquer, olho pro céu e invento uma nuvem que chove sorrisos, bem em cima de mim.”




A intimidade não se presta a fórmulas, não está relacionada a tempo de convívio, é muito mais uma comunhão instantânea e inexplicável. Intimidade é você se sentir tão à vontade com outra pessoa como se estivesse sozinho. É não precisar contemporizar, atuar, seduzir. É conseguir ir pra cama sem escovar os dentes, é esquecer de fechar as janelas, é compartilhar com alguém um estado de inconsciência. Dormir juntos é muito mais íntimo que sexo.




Nada
Não espero nada, não quero nada, nem me importo se o “nada” é um tudo que me conflita a mente.
É nada, eu sei.
O nada não aquece, mas queima, não congela, mas esfria.
O nada é só uma confusão que eu não consigo explicar.
O nada corre solto, o nada prende a gente, o nada é muito e ainda assim é nada.
É nada e ponto final.
O nada não continua, não dá pra margem pros sonhos, nem pra realidade.
O nada é um buraco na parede, um contexto descontente que a gente não entende.
É nada, pronto e acabou.
É nada quando não tem definição, é nada quando é além, quando é adiante e não cabe na gente.
O nada é só uma corrente, sem elo, um rio sem eira nem beira.

" E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou morto de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a canção

Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio na noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares,
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver,
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você?"

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

All star ♫


Um mero encontro casual trás a tona sentimentos adormecidos com o passar do tempo. Ao observar você vi a pessoa por quem me apaixonei, na verdade, a pessoa que me causou a paixão mais avassaladora que vivi. Os anos e as circunstâncias nos afastaram, mas resta o carinho e encantamento de sempre e por que não dizer o amor? Afinal, dizem que o amor nunca acaba e olhar seus olhos de maneira disfarçada me causa um arrepio na alma. Vejo em você aquele menino especial, aquele ser humano doce e carinhoso e isso me causa saudade. Saudade de nosso tempo, de nosso romance, de nossas horas conversando coisas banais. Sinto falta do abraço sincero e do beijo apaixonado. Quando bate a saudade, vou ao meu relicário, que contém suas cartas de amor e ao olhar aquela letra desengonçada eu sorrio. Um riso que mistura saudade e alegria. Até hoje, mais de dois anos de nosso “fim”, vejo que minha inspiração para escrever ainda está em suas mãos, afinal basta um simples olhar seu ou balançar a cabeça como forma de cumprimentar-me e as palavras já querem saltar de meu interior. Só espero ser lembrada por você da maneira saudosa que és lembrado por mim. Como canta aquele cara Ruivo “estranho seria se eu não me apaixonasse por você”.

domingo, 6 de outubro de 2013


"Há um pássaro azul no meu peito querendo sair...
Mas eu sou demasiado duro para ele, e digo, fica aí dentro
não vou deixar ninguém ver-te..."