domingo, 28 de abril de 2013

sábado, 20 de abril de 2013


"Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
- Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia."

Mi amor!





"Sabe qual é meu sonho secreto? Que um dia você perceba que poderia ter aproveitado melhor a minha companhia. Que um dia imagine o quanto teria sido ótimo estar ao meu lado, mesmo quando eu estava gripada. No entanto, sei que você está a cada dia que passa mais fugidio. E eu me limito a me surpreender com as circunstâncias da vida. Que me levaram a viver esse papel: o da mulher que quer mais um pouquinho. Constrange-me existir esse personagem Chico Buarque, dolorida, bonita, sendo assim, meio tonta, meio insistente, até meio chata. Nunca precisei aborrecer ninguém antes, então atuo por instinto, cansando-me facilmente. E que fique claro que não é por estar você dessa forma, tão esquivo, que o desejo tanto. Desejo-o porque desejo. Estúpida. Latina. Bethânia. Ainda creio que você, quando eu menos esperar, possa me chegar com um verso em atitude." 

Cor


Se eu vestir uma blusa verde, tu não me verás com novas esperanças, se me vestir de carmim, vermelho sem fim, ainda assim, não me amarás por todo esse meu sofrer, se algum azul do mar também me colorir, sei bem, que jamais mergulharás no meu íntimo sem fim. Visto-me, então, com aquela joia rara, peça lapidada, ouro 18 kilates, presente que me deste pra alegrar, e sei que no meu pescoço brilhará ainda mais o teu orgulho, a tua mesquinhez diante do simples. E me dispo, jogo a teus pés o que não me eleva, o que me cabe não precisa brilhar. Pegue teu troféu, tuas medalhas de vaidade, porque hoje a tua falta de amor me vestiu de cinza.

"Não havíamos marcado hora, não havíamos marcado lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro." 




"E isso é o que me caracteriza, e o que me faz seguir vivendo: refazer as asas a cada amanhecer, plantar de novo o amor e acreditar na felicidade como as crianças acreditam em seus sonhos..." 

domingo, 14 de abril de 2013

Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam: somos noivo e noiva.

sábado, 13 de abril de 2013




Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e os maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para ser feliz de novo.”


Eu sou e antes de pertencer ao cotidiano, sou do meu silêncio, do meu tempo e do afeto que me destinei.
Aprendi que tenho muito que aprender Minha bagunça mora aqui dentro, pensamentos dormem e acordam, nunca sei a hora certa. Mas uma coisa eu digo: eu não paro. Perco o rumo, ralo o joelho, bato de frente com a cara na porta: sei aonde quero chegar, mesmo sem saber como! E vou...

Ao teu lado, eu me sinto tanto. Inteira. Vasta. E feliz.



Acho que quem está de fora não pode condenar, condenar simplesmente é desprezível — é preciso compreender. Existe uma sede de amor impressionante. Estou sendo muito honesto ao te contar essas coisas, poderia facilmente escondê-las: sei que me arrisco a te chocar, te ferir, te agredir. Mas eu nunca quis ser gostado por aquilo que não sou ou aparento ser.

(Caio Fernando Abreu - Carta a Hilda Hilst)

domingo, 7 de abril de 2013


Mais um dia, dádiva divina, início de tudo, sol, calor, cores vivíssimas, a água que sacia a boca, molha os lábios. Em algum lugar chove até transbordar sobrevivência ou deixar um buraco onde antes havia uma pessoa, uma família. Notícias de jornais são sempre tristes. Mas algumas delicadezas: uma árvore foi salva, uma roseira deu botão, as violetas estão calmas, alguém acordou com uma atitude pronta para mudar toda sua vida. Mais um dia dádiva, divino este início de tudo. Hoje, uma Outra eu, não a mesma que foi dormir ontem: experiências agregam, amanhecemos sempre diferentes. Mais um dia e nenhum outro dia em nossas vidas será igual a este. Quanta novidade guardada numa noite finda.
Hoje eu me perdoo e me permito: evitar o que machuca ou promover o que enriquece e que não foi feito (ainda).