sábado, 30 de junho de 2012

Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.
Como um pequeno felino imaturo e sapeca 
eu me enrolo todo na linha que separa o certo do errado. 
Dia desses eu me enforco sem volta.


Constituir um ser humano, um nós, é trabalho que não da férias nem concede descanso: haverá paredes frágeis, cálculos malfeitos, rachaduras. Quem sabe um pedaço que vai desabar. Mas se abrirão também janelas para a paisagem e varandas para o sol.



O mundo está ao contrário e ninguém reparou ♫


A cada dia que passa, tenho mais certeza que o "mundo está ao contrário e ninguém reparou". Nada é mais igual, hoje os jovens transam na primeira noite, beijam sem ao menos saber o nome, a ganância do ser humano cresceu juntamente com a competitividade, até as músicas foram afetadas, hoje em dia ouvimos coisas do tipo: quero te dar, dadada... Isso é música? Percebo que realmente sou muito antiga, pois venho daquele tempo que brincar de boneca era diversão, lembro que eu ouvia coisas do tipo: Polegares, polegares... E hoje as crianças estão ai, a todo vapor cantando e dançando o Enfinca. Ei, Seu Mundo onde iremos parar? Até hoje sou inconformada com suas mudanças drásticas , mas o que eu posso esperar de um país (vamos diminuir a dimensão do problema) onde a música do ano é Ai, se eu te pego?!


[Título: Nando Reis]

Mas ninguém entenderia. Então guardei pra mim. 


"[Eu] Pensava que nós seguíamos caminhos já feitos, mas parece que não os há. O nosso ir faz o caminho".

sábado, 23 de junho de 2012

Para viver de verdade, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança. Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas, mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade. Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for. E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.

Sou um animal sentimental ♫


Amor, amor e amor... O assunto mais falado nos blogs, páginas do Face... O que tem esse tal de amor? Que coisa grandiosa, nunca se encerra, é como um ciclo vicioso, uma bola de neve, eu diria. Nunca li um texto falando de gatos malhados ou ex-palhaços de circo, porém, já li muitos textos e frases sobre o amor. Então, não vivemos sem amor? Daí a necessidade de escrever sobre ele? Ahh, bom seria se ninguém soubesse desse amor, pois muitas vezes ele machuca, dói, corrói. Como o ser humano é bobo, já que o amor faz tanta maldade com ele, por que continuar idolatrando esse sentimento "ambíguo"? Talvez pela necessidade que temos de receber, trocar carinhos e afetos. O ser humano é o bicho mais maluco que já vi, percebo que fomos projetados para isso mesmo, para sofrer e se adaptar ao sofrimento, estamos aqui para viver de amor, morrer de amor. 

[Título: Sereníssima - Renato Russo]

Solidão prolongada me ensinou a ser exigente. Quando me tornei minha 
melhor companhia, só me apaixonei por pessoas absolutamente incríveis.




Espalhe suas levezas e doçuras, desate os nós que o passado deixou e flutue. Se algumas pessoas te desejarem o mal, deseje a elas amor. E felicidade o suficiente pra que vivam as suas vidas e esqueçam de uma vez por todas da sua. Esquece essa gente pequena, dona moça. Não é todo mundo que guarda no peito, um baú feito o seu, cheio de inspiração, flores, cores e delicadezas. Feliz é você, dona moça, que pega o que restou do passado e transforma em poesia.

Que saudade de sentir o cheiro da madrugada invadindo meus pulmões, e além disso, sinto saudade de dar gostosas gargalhadas acompanhada daqueles que me fazem bem, sem ao menos lembrar que o amanhã existirá.



"Quero que todos sejam felizes e me deixem em paz."


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Não acredito no "pra sempre", nunca me senti á vontade com essa expressão. Creio que tudo acaba que nada é pra sempre, o amor, a amizade, a raiva...  Já ouvi dizer que amor não se pede, e disse tenho certeza, outra certeza que tenho é que a amizade também não se pede, não se deve implorar por sentimentos alheios. Há amizades que viram “coleguismo”, pessoas que antes eram unidas hoje, amanhã podem não mais conversar, ai está o “pra sempre”, a prova que esta pequena frase não é verdade. A vida como ela é, pessoas se vão e outras vem, sobem em patamares antes ocupados por outro alguém. É um mistério incomum a vida, não sabemos o que nos espera amanhã. Não sabemos, na verdade se haverá amanhã. A única certeza que me acompanha é “só sei que nada sei.”



Talvez o afastamento de certas pessoas seja a solução que sua vida precisa.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Monomania - Clarice Falcão


Hoje eu falei
Pra mim
Jurei até
Que essa não seria pra você
E agora é
Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira.



- Prestar? Não, obrigada, prefiro ser eu mesma!


Cada vez que você faz uma opção está transformando sua essência em alguma coisa um pouco diferente do que era antes.

Não é que eu não saiba conversar. É quem tem horas que eu não sei o que dizer. Eu não sei.

Tarde de vento.
Até as árvores
querem vir para dentro.




É bonito ver a vida tomando o rumo que você queria, é bonito ver brotar o sorriso do rosto da criança. Viver é algo inusitado, sabemos que tudo muda sempre e sempre, ninguém consegue ser a mesma pessoa por mais de um ano, temos evoluções constantes. Há pessoas que se aceitam outras nem tanto, querem voltar ao seu “estado inicial” e acabam se perdendo em meio a tantos “eus”. Até mesmo a  Capitu de olhos dissimulados e oblíquos mudou e nós que vivemos uma vida real, temos perdas, vícios e virtudes reais por quê não mudar também? 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Um ano de blog *-*

Dia 07/06/2012 o meu Inefável completou um aninho, e eu só tenho que agradecer à todos vocês, queridos leitores, desde aqueles que me visitaram uma vez até aqueles que vem aqui todos os dias. Obrigado também aos meus seguidores, obrigado aos que comentam as postagens, obrigado aos meus autores Inefáveis. E acima de tudo, espero que este seja o primeiro ano de muito sucesso deste amado recanto.

O vinho, o violão, a música.


Unhas enormes e vermelhas, não tão enormes, mas bem cuidadas e pintadas de um vermelho sangue, um som ambiente daquela cantora que tem uma música assim: Rolling in the deep, Tears are gonna fall, rolling in the deep. Não sei ao certo o nome dela, mas inicia com A. Enfim, dedos magros e bonitos, cheios de anéis, um telefone na mesa de cabeleira, ao lado da cama desarrumada, mais considerada um altar de veneração a algum deus ou semideus sem nome, talvez o deus do vinho, que existe na mitologia grega, Dionísio, não é? Por que escolhi esse deus? Bem simples, por que naquele quarto de hotel barato, há garrafas de vinho cheias e vazias, vinho tinto, vinho branco, rose, suave e outros vinhos. Lembro-me que a última garrafa foi aberta ao som da mesma música, mas com uma forte chuva caindo lá fora. Ao som daquela música eles dançavam, depois de secar duas garrafas de vinho, e comer uns salgados queimados e caseiros. As horas passavam tão rápido que já eram 3 da manhã quando pararam a dança esquisita e riram muito, deviam estar bêbados, mas ao meu tempo o olhar deles era tão sóbrio, tão lúcido que confundia até a mente mais sã. Depois da dança, depois dos olhares vieram os sorrisos, sorrisos tão cheios de prece, de pedidos ocultos, pedidos nunca feitos, pedidos de: fica comigo eternamente? Depois, depois, depois que o tempo tinha passado eles nem sabiam que podiam se encontrar, que iam se encontrar, mas se encontraram e foram felizes, por uma noite, mas foi uma felicidade tão terna que até hoje prevalece. Hoje, uma ou duas semanas depois daquele encontro inesperado. Um bar, uma noite de chuva, um violão, uma vodka... A moça magra e desleixada saiu do quarto pobre, do hotel pobre e foi vagar na rua atrás de algum divertimento, andou meia hora ou mais, e uma chuva iniciou, então, para espantar o frio, ela resolveu entrar naquele bar que estava a sua frente, um bar pequeno, com um letreiro borrado, devido ao tempo, nem o nome ela conseguiu ler, mas mesmo assim entrou, e lá sentiu calor, pois ao fundo havia uma enorme lareira acesa e havia também um pequeno palco, onde um homem moreno, de barba mal feita cantava músicas ao som do violão. Quando de repente seus olhares se cruzaram, houve aquele segundo de silêncio, então a moça desviou seu olhar, foi até o balcão e pediu uma vodka. Tomou essa vodka de um gole só, pra ver se só assim podia encarar a realidade, mas uma dose não era suficiente, então pediu uma dose dupla, engoliu, e viu que não podia fugir da realidade. Era ele sim, era aquele que cantava pra ela, era a mesma voz macia, ele era o dono daquele corpo que fazia dela uma maluca, dono daquele olhar poderoso e forte, dono daquele sorriso acolhedor, sim, era ele, seu amor “mal resolvido”, como ela mesma o denominava. Mas, o que ele fazia ali? Não era ele que tinha abandonado aquela moça para casar com outra? Sim, era. Mas, este casamento não foi consumado, e ele estava ali. Parecia que só havia ela no bar. As horas se passaram, as pessoas estavam indo embora, e a chuva não havia cessado. Para finalizar o show ele cantou aquela música: Muito prazer, o meu nome é otário... E dessa forma terminou o show, colocou seu velho violão preto nas costas e saiu ao encontro dela, quando estavam olho a olho, ele disse: - Eu sabia que um dia encontrava você! Ela apenas o fitava e sorriu. Os dois saíram rumo ao apartamento, foi lançado um convite mudo da parte dela. A rua estava alagada e fria, mas o calor do sentimento deles os mantinha aquecidos. No apartamento, ela ligou o som, e com tanta pressa, acabou deixando cair de cima do som o livro Triângulo das águas de Caio Fernando Abreu, livro que ele tinha dado e que ela sabia de cor. Aquelas 5 horas dentro do apartamento foram tão lindas, tão ternas, que não se pode descrever. E hoje, q moça magra dentro do quarto pobre, do hotel pobre, da rua estranha, lembra-se daquele amor, lembra-se dos momentos vividos, e o guarda no fundo da memória, para que ali permaneçam intactos, e que só ela pode encontrar. Mas, onde está ele? Em algum barzinho com seu companheiro de 6 cordas, ou 7 não sei ao certo, mas ele está por ai, talvez até em outra cidade, mas junto daquele velho violão e com ela no pensamento. Por que não estão juntos ninguém sabe, mas é como eles dizem: deixa o destino agir.

Sapato Novo - Los Hermanos


quinta-feira, 7 de junho de 2012

"...Me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas mas não posso explicar a mim mesma..."


Sou uma moça polida,

levando uma vida lascada!



Não importa quantas vezes você tentou e foi mal sucedido, o que verdadeiramente importa é sua vontade de ir além da própria estrada.



Solução melhor é não enlouquecer mais do que já enlouquecemos, não tanto por virtude, mas por cálculo. Controlar essa loucura razoável: se formos razoavelmente loucos não precisaremos desses sanatórios porque é sabido que os saudáveis não entendem muito de loucura.
De que me adianta temer o que já aconteceu? O tempo do medo já aconteceu, agora, começa o tempo da esperança...



Eu gosto de pessoas inteligentes que enxergam o mundo com humor. Tem muitas pessoas em quem eu bato o olho e penso: deve ser legal ser amiga dele. É gente que não carrega o mundo nas costas, que fala olhando nos olhos, que não se leva tão a sério, que é franca na hora do sim e na hora do não. É difícil sacar as qualidades de uma pessoa sem antes conhecê-la, mas intuição existe pra isso. Tenho vários amigos que enriquecem minha vida e se encaixam no meu conceito de “pessoas especiais”, mas meu coração é espaçoso e está em condições de receber novos inquilinos.


‎"Exagerada toda a vida: minhas paixões são ardentes; minhas dores de cotovelo, de querer morrer; louca do tipo desvairada; briguenta de tô de mal pra sempre; durmo treze horas seguidas; meus amigos são semi-irmãos; meus amores são sempre eternos e meus dramas, mexicanos!"

terça-feira, 5 de junho de 2012

"…Tenho duas, três, quantas? 
são várias dentro de mim 
já não suporto acordar sendo careta 
e depois do almoço 
vestir renda vermelha e no final da tarde buscar os filhos no colégio 
 e à noite renda preta."

É preciso muito pouco. A alegria está muito próxima. Mora no momento. Perdemos a alegria porque pensamos que ela virá no futuro, depois de algum evento portentoso que mudará a nossa vida.
"Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro."
"Pobre povo desse século da pressa! precisamos urgentemente voltar o costume “antigo” de “ter tempo”, de dar um tempo para o tempo nos mostrar quem são as pessoas.”
Às vezes, sentia que era necessário, para sua própria existência, libertar-se do passado; ou que o passado deslocara completamente o presente, de modo que, ao retomar a vida comum depois de uma manhã inteira entre os mortos, o presente se revelava uma composição rala e inferior.”

domingo, 3 de junho de 2012


"As pessoas esquecem umas das outras com tanta facilidade."

Quem em cada pouco põe tudo que é, merece ser feliz. E muito. 
A gente é tão pequeno, tão humano, tão simples. E a vida, meu amigo, é tão complexa, complicada, difícil.
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.



Parei de implorar companhia dos outros, se quiser ficar fica, se não quiser adeus. 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Junho, seu lindo, seja bem vindo :)


Que delícia, junho chegou e com ele muitas alegrias, que o choro e a tristeza do passado não passem de lembranças. Que tenhamos muitas quadrilhas/forró, passeios de carroça, comida típicas,além de muitos sorrisos.
Então, bem vindo, meu amado mês de Junho!