domingo, 6 de maio de 2012

Vontade de café


A noite estava fria, a lua não tinha aparecido, a rua estava vazia e o coração dela estava remendado mais uma vez. Ela havia saído da casinha simples em busca de um café quente e forte, como havia sido aquele amor que tanto a feriu, mas não havia nenhuma cafeteria aberta, então, ela se deparou com um bar e resolveu entrar para tomar uma vodka quente e forte. Fez seu pedido ao garçom, ficou esperando no balcão, observava tudo ao seu redor enquanto esperava, olhava o teto cheio de goteiras, olhava as luzes fracas, via gatos passeando famintos pelo bar, via mesas vazias e mesas lotadas por pessoas sem rumo, pessoas que assim como aquela que os observava também tiveram seus corações destruídos, olhou para a mesa à esquerda do banheiro e lá viu um casal de mãos dadas, a cena mais doce daquele buteco. Isso a impressionou tanto que já havia esquecido seu pedido, quando o garçom lhe chamou a atenção pela segunda vez foi que ela retornou ao seu estado inicial, então engoliu sua vodka, tudo dentro dela queimou, mas a dor não havia cessado, pagou seu pedido e foi vagar pelas ruas frias, mas com a cena do casal em sua mente. Vinham-lhe tantas perguntas em mente, e não havia um único ser vivo para que ela pudesse compartilhar, resolveu sentar-se no banquinho próximo ao coreto da velha praça desbotada, e por lá ficou durante horas a fio. Percebeu que a dor havia se tornado sua companheira e isso a confortava, pois sabia que por fora estava sozinha, mas por dentro estava cheia, lotada, apinhada de dor. Começou a ventar forte e esse vento trouxe as lembranças mais lindas, verdadeiras e doloridas de sua vida. Lembrou-se do primeiro sorriso, das mãos geladas, do suor frio, dos perigos que enfrentam em prol desse amor, lembrou-se dos livros trocados, dos presentes simples e marcantes, lembrou-se dos abraços quentes e das mãos dadas que formavam um elo. Lembrou-se das brigas, lágrimas, faltas, carências, dos lábios que não mais se uniam, do elo que se desfez daquelas mãos... Percebeu que esse amor se acabou tão rápido como começou se iniciou em uma conversa singela e cresceu tanto, mas um dia as circunstancias pesaram muito e tiveram que abandonar o estado de fascinação inicial, foram viver suas vidas separados, em lugares distantes e o último encontro lhe veio na mente, aquele que ela não conseguiu se conter e disse que ainda o amava, e que da parte dele foi recíproco. Com essa imagem passando por seus olhos, ela resolveu voltar pra sua casa, fazer o café lá mesmo e um sentimento de calma brotou dentro dela, mas, junto dessa calma ela pode perceber que esse era o momento mais indicado pra deixar esse amor guardado e jogar para cima, pois se Deus quiser que ele volte, ele voltará. Chegando a velha casa seu gato lhe cumprimentou, ela se jogou no empoeirado sofá, já nem se lembrava mais do café, simplesmente dormiu.


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