domingo, 1 de abril de 2012

Da burrice à depressão


Ok, vocês acabaram. Muita dos sonhos que foram planejados em conjunto tiveram que ser refeitos, as rotas de ida e volta parecem sempre poluídas de lembranças lindas (mas que na verdade nem eram tanto) daquilo que parecia ser o amor perfeito, e mesmo com tantas brigas, o baque foi grande: a recuperação demorará, avisa a força de vontade. O sorvete, o chocolate, e um nó no estômago dão agora o sabor incrédulo de quem ficou também com a sensação de derrota. O cobertor quentinho troca de lugar com quem deveria compartilhá-lo, as ruas quando vazias lembram um filme dramático onde a felicidade passa longe e escutar músicas dramáticas com letras tórridas para se afunilar ainda mais a faca no peito tornou-se hobby. Como sobreviver com tanta tristeza no peito?

Ver a morte de um amor é complicado. Nunca encontrar algo que se torne sólido para constituir sentimento, mas ainda. Sobreviver sob o empunho de uma bandeira onde a felicidade primeiro é solitária para depois ser dupla também não é fácil. Porém, noto que algumas pessoas caem numa depressão burra onde fica cada vez mais tumultuoso sair: esquecem as amigas, perseguem o ex, recusam convites diurnos, fazem as escolhas erradas e se embananam cada vez mais num comportamento estranho e distante porque acham que o mundo foi (ou continua sendo) cruel quando deveria dar um abraço. Fica fácil invejar a amiga com um relacionamento que antes julgava bem mais ou menos, sair por aí pegando qualquer coisa, para no domingo ficar o dia inteiro de pijama, refletindo sobre a vida enquanto a agonia do choro é uma constante a cada fim de final de semana.


Chega a dar revolta assistir a tal autodepredação. A tanta desculpa pro que nem ao menos deveria existir. Pro desmerecimento de si mesma só para caber no que qualquer outra pessoa queira: assim, de graça, sem recibo nem nota, muito menos garantia. Pra cair na mesma história um zilhão de vezes e ouvir das amigas todos aqueles conselhos repetidos que não pratica vez alguma. Ciclo vicioso de um alto que dura segundos enquanto o baixo, baixíssimo, se arrasta dias a dentro. Dá um pouco de pena, mas chega uma hora em que ou se aprende um pouco sobre como sobreviver em meio à selvageria humana, ou a decepção é cada vez mais profunda. Digo da falta de esperteza quando há outras alternativas, existe família e dias ensolarados, piscina e amigas, passeios diurnos e um pensamento que foque só naquilo que vale a pena. 

Porque é de mulheres inteligentes e bem-sucedidas que conseguem destaque e no resto dos fatores importantes se dão bem que eu falo. Porém, quando se trata de relacionamento, quando o afeto traz consigo intimidade, o é coeficiente zero, o grau é mínimo em se tratando de inteligência emocional, valorização e um pouco de bom senso. E se perguntam sempre e cada vez mais por que elas, por que agora, por que tudo. Quando, na prática, precisam vivenciar a resposta ao invés de questionar repetidamente. Abrir a mente e fazer entrar uma boa quantia de amor próprio e respeito a si mesma, com certeza não faz mal a ninguém.

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