domingo, 8 de dezembro de 2013

Sua sedução ficou marcada como ferro em brasa em minh’alma.
Quero me perder dentro de você.
Conhecer os caminhos mais obscuros do seu interior e saciar esta sede de ti.
Seu beijo me devora ferozmente, mesmo sem ter sido sentido.
Seu abraço é protetor, esconde minh’alma carente.
Poderia perder-me nos seus caminhos como se estivesse em um labirinto de você.
Os desejos são espatifados dentro de mim, revivem em cada simples pensamento.
O calor de uma ligação faz o coração gelado ficar aquecido.
Sua voz sensual atiça os meus desejos antes coagulados.
Deixe-me aprender a desvencilhar-me de ti e logo depois correr para teus braços e mergulhar.

Ah, que vontade de perder-me dentro do teu mar...

domingo, 1 de dezembro de 2013

Um cara de sorte - Detonautas




"...Há um grande cansaço na alma do meu coração. Entristece-me quem eu nunca fui, e não sei que espécie de saudades é a lembrança que tenho dele. Caí entre as esperanças e as certezas, com os poentes todos..."

(Bernardo Soares - Fernando Pessoa)


"Esconder-se no porão, de vez em quando, é necessidade vital. Precisamos de silêncio e solidão, e, não apenas os poetas. Senão, corremos o perigo de nos esvairmos em som, fúria e esterilidade. O campo para que a palavra se instale para o autor e para o leitor é o campo do silêncio e da audição."

O que mais você quer?


(...)
Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a idéia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.


Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis.

Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.

E na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer o meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.


"Não sei por que, mas não gosto de gente falante, externamente identificada, histericamente feliz. Elas, me parece, estão sempre escondendo algo assustador enquanto estão aí, romanceando a própria melancolia e solidão."